sábado, 11 de novembro de 2017

Volta por cima

Laura era recém divorciada, tinha três filhas. Em uma tarde chuvosa ela conheceu Henrique, ambos esperavam a chuva passar para chegarem até seus respectivos carros. Engataram uma conversa, se adicionaram nas redes sociais, posteriormente trocaram telefones e assim foram se conhecendo.
Saíram pra jantar, cinema, dançar, tudo caminhava perfeitamente até que ele começou a mudar. Foi se afastando, se ausentando da vida dela. Ela sabia que ele era divorciado e se desdobrava entre o trabalho e os cuidados que dedicava a filha que havia optado em ficar come ele depois da separação dos pais. Pensou que esse seria o motivo, até o dia em que viu por acaso uma foto dele com outra mulher.

Ah malditas redes sociais. A foto era antiga, de antes deles se conhecerem, mas Laura teve um estalo, desses que toda mulher tem e que geralmente tem um enorme fundo de verdade. Procura daqui e dali, descobriu que os dois haviam namorado e que recentemente ainda se encontravam. Descobriu ainda que a moça tinha a idade de sua filha mais velha, aliás, a moça era jovem e linda.

Laura se olhou na frente do espelho, não era mais jovem, seus 42 anos lhe haviam presenteado com algumas rugas, algumas gordurinhas fora do lugar, ela se enfureceu, se diminuiu, chorou. Pegou o celular, correu para olhar a foto da moça de novo, era dessas marombeiras, rosto lisinho, bunda grande, cintura fina, cabelo preto e liso, ex miss bumbum, enfim, toda perfeita. Laura então se achou um lixo, seria incapaz de concorrer com essa menina .

Se deprimiu por alguns dias, excluiu Henrique de todas as suas redes sociais, inclusive do seu celular para não correr o risco não controlar a vontade de telefonar para ele. No entanto Laura entrava varia vezes ao dia nas redes sócias de Henrique, para saber o que ele havia postado, o que ele andava fazendo, na realidade ela stalkeava ele descaradamente. Tanto que já estava se achando uma psicopata. Começou a ter crises de ansiedades, mas o mais difícil era cuidar de sua alto estima que estava lá embaixo.

Até que um dia de tarde Laura recebeu uma mensagem pelo facebook, o irmão de seu amigo lhe dizia o quanto o tempo havia feito bem para ela, elogiou sua beleza e a convidou para jantar. No começo ela ficou na dúvida se aceitava ou não, mas sentiu nesse momento que ainda era uma mulher desejável.

Jantaram, se divertiram, ela riu muito. Inácio não era um homem lindo, mas tinha belos olhos verdes e um sorriso cativante, além de tudo era engraçado e inteligente. Por sinal ele havia sido seu professor durante o curso de especialização.  Seguiram por um tempo até que ela percebeu que não gostava dele o suficiente para seguir em frente. Ele queria um compromisso sério e era justamente o que ela não queria.

Que confusão, ela pensou. Como é difícil recomeçar a vida depois de uma separação, os sentimentos ainda são muito confusos dentro do coração. Mas ela não queria magoá-lo e não o fez, terminaram. No entanto se tornaram ótimos amigos. Costumavam almoçar uma vez por semana juntos, trocavam livros, indicações de filmes e eram felizes assim. Inácio a ajudou muito, por causa dele Laura conseguiu dar a volta por cima, se ver como a mulher divertida, desejável e linda que era. Seria eternamente grata a ele. Mas por enquanto ainda preferia estar com seu coração desocupado...


O tempo passou...

Marcela conheceu Enzo quando ele foi transferido de colégio, ela com 14 e ele com 16 anos. Ambos jogam voley nos times da escola, logo rolou uma certa identificação entre eles. Os cabelos ondulados e louros dele faziam-na acha-lo mais bonito do que realmente era. Resumindo ele despertou nela, a primeira paixão, que era correspondida dia sim, dia não.

Enzo beijou várias meninas, inclusive a melhor amiga dela, mas quando ela pensava que ia rolar algo entre eles, ele sumia. Marcela chorava, passava noites em claro, sonhando com o tão desejado beijo, até que ele se aproximava novamente. E assim ia se repetindo, ele se aproximava e se distanciava sem nada acontecer entre eles. Até que um dia, ao retornar da aula, ela parou um pouco na praça para conversar com os amigos, demorou um pouco mais para chegar em casa. E quando chegou encontrou ele sentado na calçada em frente a sua casa, comendo um saco de pipoca.

Ela olhou para ele todo tomado banho, perfumado e se olhou ainda de uniforme escolar e pensou porque não tinha ido diretamente pra casa. Se cumprimentaram, ela perguntou o que ele fazia la e ele simplesmente sem nenhum arrodeio disse que queria namora-la. Completamente sem ação e pensando que estava sonhando ela olhou pra ele e disse que precisa entrar em casa para avisar aos seus pais que já havia chegado da aula.

Nervosamente ela correu para dentro de casa, avisou aos pais, guardou sua mochila e saiu para encontra-lo. Sem saber ao certo o que falar ela se aproximou dele, e fez repeti-lo sobre o que o tinha levado até lá. Ele reafirmou o pedido de namoro, ela simplesmente baixou a cabeça e sorriu completamente tímida. Enzo chegou mais perto, levantou seu queixo e a beijou. Ela retribuiu, gostou do beijo. A partir daquele dia eram oficialmente namorados.

Como todo namoro de colégio se viam pouco, afinal eram novos, cheios de responsabilidades escolares e os pais ainda estavam se acostumando com a ideia. Passaram-se três meses e um belo dia ele a procurou para terminarem o relacionamento. Ela ficou triste, chorou, sofreu sua primeira grande decepção amorosa.

O fim do ano letivo estava próximo, eles estavam no último ano escolar, após o término das aulas nunca mais se viram. Tempos depois ela soube por amigos que ainda bastante jovem ele havia se casado. Mas fora essa notícia não sabia mais nada, até que cinco anos depois se reencontraram num arraial. 

Completamente sem jeito ele se aproximou dela, puxou conversa, perguntou se Marcela já havia casado, falou com tristeza do fim de seu casamento, os dois se despediram e ela foi embora. Dois dias depois ela foi surpreendida com a visita dele em sua casa. Como sempre ele foi direto na conversa. Estava mudando de cidade, mas após vê-la, segundo ele reavivou o sentimento da adolescência e ele percebeu que ela era o grande amor de sua vida. Portanto, estava nas mãos dela a decisão de ele ir embora.

Enzo disse a Marcela que se ela o aceitasse de volta ele não iria mais. Ela olhou para ele, um filme passou na sua cabeça. Realmente ela havia gostado muito dele, mas isso havia sido a muito tempo, hoje frente a frente com ele, simplesmente Marcela não sentia mais nada. Como podia ele jogar tanta responsabilidade assim pra ela? Afinal era sobre o futuro dele que estavam falando.
Nesse momento ela teve pena dele, mas foi bem sincera. Disse-lhe que não gostava mais dele, o tempo deles havia passado, tanto que hoje ela nem o conhecia mais, não sabia mais nada sobre ele, não sabia nem a pessoa que ele havia se tornado. “Siga seu caminho, seus planos e vá embora, não se prenda por mim”, ela disse.
Quando ele foi embora, ela pensou no quanto havia sido apaixonada por ele, do quanto ficou feliz quando ele a pediu em namoro, lembrou ainda de como havia sofrido quando ele terminou o relacionamento. Naquela época ela daria tudo para tê-lo de volta, mas hoje não mais. Ambos seguiram suas vidas sem nunca mais saber notícias um do outro.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Novinho

Todas as tardes Helena costumava ir para o parque perto da sua casa para dar uma corrida. Numa dessas tardes ela conheceu Getúlio, um jovem rapaz, de pele branca, cabelos lisos e castanhos. Enquanto ela corria ele se aproximou e se apresentou. A cada volta que ela dava sorrisos eram trocados.

No entanto, ela percebeu que a diferença de idade entre eles era gritante. Não ligou muito pra isso, tanto que ao final da corrida trocaram telefones. Pouco tempo depois que chegou em casa ele telefonou, pediu para falar com ela mais tarde pois ainda iria jogar futebol. Será mais um história de Eduardo e Mônica*? Ela pensou, sorriu e aguardou o telefonema.

Enquanto isso pensava na sua ‘apaixonite’ do momento. Um homem alto, cabelos negros, inteligente, por nome de João. Como pude me envolver assim? Resolveu então deixar rolar o que tivesse que rolar com o novinho, era assim que ela costumava se referir a ele. A esperança era esquecer sua paixão, o cativante João. Por dias marcaram de se ver, mas sempre na hora H ela inventava uma desculpa e eles não se viam. Até que um dia, ela o convidou para sua casa.

Ele já chegou beijando-a no portão, a tomou pelos braços, fizeram sexo no chão da sala. O sexo foi quase bom, se é que existe essa classificação. Na verdade tinha sido uma porcaria, faltou pegada, faltou talvez ela se entregar como deveria. No entanto, também faltou assunto e isso ela não perdoava.


Talvez a diferença de idade tenha sido responsável pelo vácuo entre os dois, pela falta do que falar, do que fazer. Helena até ficou na dúvida se ele realmente tinha os 25 anos que havia dito, pois o achou muito imaturo, inclusive no sexo. E quando o sexo terminou, terminou também o assunto, nunca mais se falaram...

*Eduardo e Mônica é uma canção que fez muito sucesso nos anos 80 com a banda de rock Legião Urbana

Choro engasgado

Esse sentimento que ainda não consegui identificar não sai do meu peito. Uma crise de ansiedade, que me falta o ar. Se ao menos eu conseguisse chorar. O peso das responsabilidades as vezes chega com tudo e o que eu mais queria era voltar a ser criança...

Poderia ter sido um sexo gostoso

Eles se conheceram no trabalho, se deram bem desde o primeiro momento, afinal ele parecia ser um cara bacana, riso fácil, boa conversa, sorriso bonito. Mas quando ela trocou de emprego, nunca mais se viram. Certa vez ela o viu na praça, ficou observando seu jeito de caminhar enquanto conversava com uma mulher. Nesse momento gostou dele mais do que deveria.

Benditas são as redes sociais, conectam e também possibilitam uma certa investigação na vida da pessoa. Após uma breve stalkeada, ela percebeu que ele estava solteiro, resolveu então mandar-lhe uma mensagem com o intuito de aproximação, afinal, agora ambos estavam separados.

Deu certo, trocaram telefones, inúmeras mensagens pelo wattsup, até que o primeiro encontro aconteceu. Ele optou em ir na casa dela. Tomaram umas três cervejas, algumas doses de cachaça, conversa fluia deliciosamente. Ela ficou um pouco alta pelo efeito do álcool, pois devido a correria do dia, não havia se alimentado muito bem, não havia nem jantado. Isso fez com que o enxergasse com um sorriso ainda mais bonito do que possuía.

Em um determinado momento ele a puxou para perto, eles se beijaram, foi um beijo gostoso, quente, somado a um abraço apertado e os amassos que vieram a seguir foram inevitáveis. De repente ela sentiu as mãos dele tocando entre suas pernas, ela foi ficando cada vez mais lânguida e os beijos se sucediam repetidamente... Não houve sexo, mas a sintonia entre os dois era evidente, pelo menos ela achava que era.

Marcaram de ver novamente, mas não se viram, as conversas ocorriam somente pelo wattsup. Um dia ele mandava aqueles memes bobos, no outro a conversa se tornava um pouco mais picante até que marcaram uma data para se encontrarem novamente. Nesse dia ele não apareceu, não retornou ligação, nem mensagem no watts, aliás, desse dia em diante não se falaram mais. Era como se nada tivesse acontecido, como se fosse apenas um sonho que ela havia tido.

Ela ficou confusa, chateada, triste, queria chorar, colocar pra fora a decepção que tinha passado, mas não conseguiu. Pensou que um filme triste poderia ajudar, não conseguiu se concentrar. Pensou em músicas que a fizessem colocar pra fora esse sentimento, também não deu certo. Só conseguia pensar que não entendia o que tinha acontecido, o porque de ele passar a ignorá-la após tantas conversas agradáveis.

Pior, que nem conseguia se sentir usada, pois passou então a inventar desculpas bobas se culpando pelo sumiço dele, embora no fundo, ela soubesse que não havia feito nada de errado. Apenas o havia desejado como homem, não havia amor nessa relação. Mas ele conseguiu magoá-la profundamente, pois pela maneira que conduziu toda a situação deixou claro que nem a amizade dela importava pra ele.


Ela percebeu que era hora de seguir em frente, parar de pensar no que poderiam ter vivido, no sexo gostoso que poderia ter rolado, mas vez ou outra ela ainda se pegava com os pensamentos voltados para ele... 

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Romantização dos fatos

Tava aqui elucubrando com meus botões sobre romantização dos fatos passados, não sei se isso é coisa feminina ou se os homens também costumam fazer isso, mas o fato é que nós mulheres, e eu em especial, temos a terrível mania de romantizar os fatos. Agora eu pergunto, para quê? E eu mesma respondo, somente para ficarmos sofrendo, já que essa romantização nos leva a crer que o que vivemos no passado é melhor, mais bonito, mais gostoso (sim também romantizamos quando o assunto é comida, já já explico), enfim...

O certo é que quando temos a oportunidade de vivenciar novamente em nossas vidas alguma situação ou sabor a decepção é inevitável, porque claro que não será mais essa coca-cola toda. Isso serve para uma comida que experimentamos naquelas férias maravilhosas ou mesmo para aquele caso de amor de fim inesperado que deixa sempre um gostinho de quero mais.

Explico melhor relatando um exemplo simples do que aconteceu comigo em uma viagem de férias para Curitiba. Por lá descobrimos um sanduíche feito com croissant, era uma delícia, gosto sem igual, simplesmente inesquecível. Ocorre que passei anos sem voltar a Curitiba, mas vez ou outra o sabor daquele sanduíche me fazia salivar, até que finalmente retornei àquela cidade que me proporcionou tanto prazer gastronômico.

Primeira oportunidade que tive, lá estava eu no balcão pra pedir meu sandubinha querido e inesquecível. Na hora da primeira mordida foi uma decepção, onde estava aquele sabor inigualável? Cheguei a me questionar se teria feito o pedido certo, se o recheio era o mesmo que eu costumava comer. Que nada, o que realmente aconteceu é que eu gostei tanto daquelas férias que tudo que se relacionava a ela eu tratava com romantismo, ou seja, tudo era bom, era melhor do que a média, mesmo o que nem era assim lá essas coisas. Tudo porque eu me apaixonei por aquelas férias.

Agora se consigo romantizar o sabor de um sanduíche, dá para imaginar o que sou capaz de fazer quando o assunto é romance mesmo né? 

terça-feira, 6 de junho de 2017

Camisinhas, camisetas e surdez

Esses dias eu fui no posto de saúde levar meu pai pra tomar uma injeção. Chegando lá vi uma caixa com camisinhas em cima do balcão, achei aquilo o máximo. É só chegar e pegar, não precisa falar nada com ninguém, não precisa ficar morrendo de vergonha pra pedir porque simplesmente está ali, super fácil de adquirir.

Resolvi pegar algumas e colocar na minha bolsa. Nesse momento meu pai virou a cara pro outro lado, fazendo o tipo o que os olhos não veem o coração não sente. Mas eu não sou fácil, tava me divertindo com a situação, então sentei ao lado dele e disse: Vou levar umas camisinhas. Pense num tiro que saiu pela culatra!

Em alguns momentos o papai ou é ou se faz de surdo e foi ai que começou o diálogo completamente maluco que vou descrever abaixo:

Ele: - Camiseta? (Não preciso dizer que ele estava quase gritando, já que nesta situação ele estava surdo. Então imaginem vocês uma recepção de posto de saúde e todos ouvindo o agradável bate-papo).
Eu: - Isso, camiseta. (Esse foi o momento em que fiquei com vergonha de ter começado a brincadeira, porque simplesmente as pessoas começaram a prestar atenção a nossa conversa).
Ele: - De farda?
Eu: - Sim, farda.
Ele: - Pra quem? Pra Júlia? (Júlia é minha filha de 21 anos)
Eu: - É, farda de aula pra Júlia!
Ele: - E ela estuda onde?
Eu: - Na Ufac.
Ele: - Ah ta.


Graças a Deus o assunto morreu ai.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Vida que segue...

Quando retomou o relacionamento com Pedro ela tinha certeza que iria se dar mal novamente. Foi assim da primeira vez e certamente não seria diferente da segunda. No entanto, Joana quis arriscar, confiou na sua peteca. O sexo com ele era bom, o desejo aflorava todos os dias. Muitas horas se passavam com ela relembrando os momentos de prazer que tinha ao lado dele.

De repente ela se viu completamente apaixonada. Isso não seria problema se Pedro não fosse casado, mas ele era. E o que poderia ser maravilhoso, continuou sendo, mas rodeado por uma sombra. O grande problema não era o casamento, mas sim o pouco tempo que ele dispunha pra ela. Isso sim foi cortando seu coração até o ponto de ela resolver se abrir pra ele e contar-lhe todo o sentimento que fervilhada dentro dela.

No ato louco ela confessou sua paixão por ele e como a normalidade não fazia parte de suas ações, decidiu que seria hora de por fim ao relacionamento. Passaram aproximadamente 30 minutos terminados (isso na cabeça dela, é claro), reataram em seguida.

Os dias que se passaram foram agradáveis, mas se resumiram a conversas de whattsApp. Até que de novo ele saiu de sua vida, do mesmo jeito que entrara, de uma hora pra outra, igualzinho ha anos atrás. Ela sofreu nos primeiros dias, até tentou reiniciar uma conversa, mas depois percebeu que simplesmente tinha confundido sexo bom com paixão. Sacudiu a poeira, balançou os cabelos e seguiu em frente, afinal vida que segue...



terça-feira, 23 de maio de 2017

Banhos quentes

Os banhos de Sofia agora eram quentes. Ela nunca gostou de banho assim. Os seus costumavam ser gelados. Mas desde que Theo não a procurara mais ela começou a tomar banho com água quente. Isso a fazia se lembrar dele e dos momentos que passaram juntos.

Quando os pingos quentes lhe molhavam sentia como se fossem as mãos dele percorrendo todo seu corpo. Uma saudade enorme tomava conta dela. De certa forma os banhos quentes a levavam de volta aos braços dele.


“Você nunca vai esquecer que eu gosto de banho quente”, assim ele costumava dizer todas as vezes que os dois estavam juntos no chuveiro após fazerem amor. 

Realmente ele tinha razão. 

*Foto: Internet

sábado, 20 de maio de 2017

Déjà-vu


Marta havia se separado de seu segundo marido a pouco mais de um ano. Referia-se ao fato como algo libertador. No fundo ela sabia que nunca o amara de verdade, mas foi ficando... ficando... Até que se viu carregando dez anos de casamento e uma filha. Sem amor, sem cumplicidade e principalmente se vendo como responsável por todas as despesas do lar por quase todo o período de vida a dois, ela resolveu que não queria mais ser infeliz. Se separou.

Foi um ano sabático no que se referia a assuntos do coração. Alguns homens apareceram em sua vida, mas Marta apenas vivenciou o momento. Não se apegou, não se envolveu sentimentalmente. Ela estava se amando novamente. Foi então, que em plena quarta-feira de cinzas, enquanto fazia sua fisioterapia por conta de uma inflamação no joelho, Marta recebeu uma mensagem pelo watts zap de um ex-namorado.

Ao ler o nome do ex na tela do celular ela ficou imaginando como ele havia conseguido seu número, em seguida lembrou-se que nutria grande carinho pela irmã dele e que vez ou outra se falavam por telefone ou mesmo por troca de mensagens. Então Marta se preocupou em saber qual o motivo do contato de Otto, que até o momento vinha conduzindo a conversa com temas cotidianos bem amenos.

Desse dia em diante Marta e Otto se falavam constantemente, na maioria das vezes relembravam situações vividas durante o período de namoro dos dois. Até que ele a convidou para sair. Ela ficou em dúvida, havia gostado muito dele no passado e o rompimento do namoro à fez sofrer bastante e ocorreu por conta de um sentimento de distanciamento que Marta começou a sentir.

Essas recordações nada boas fizeram com que ela pensasse em colocar um freio nas conversas e não aceitar o convite. Até porque nessa nova fase da vida em que Marta estava descompromissada, Otto estava casado e havia constituído uma família. Sabedora da situação e diante do impasse de não fazer com os outros o que não queria que fizessem com ela, Marta foi adiando o encontro.

No entanto, as recordações dos bons momentos em que passou nos braços de Otto, a faziam se questionar constantemente se deveria aceitar o convite. Será só uma vez, não o verei mais. Ela se confiou no fato de estar conseguindo não se envolver emocionalmente com ninguém durante quase um ano, mas também na certeza de que ele não a procuraria no outro dia. “Estou vivendo um dia de cada vez”, pensou ela, não crio expectativas, “afinal não quero mais ninguém na minha vida”.

Pensando assim ela cometeu um grande erro. Aceitou o convite. Eles se encontraram, tomaram algumas cervejas, conversaram, se beijaram e fizeram amor por várias vezes durante a noite. Foi maravilhoso. Marta se despediu de Otto com certeza que não se veriam mais. “Afinal, é assim que os homens agem. Ele não irá me procurar e eu irei retribuir a gentileza”, pensava.

E foi com grande surpresa que Marta recebeu uma mensagem de Otto pela manhã. As conversas continuaram, os encontros mesmo que não tão frequentes continuaram também. Dois meses depois ela se viu completamente apaixonada por ele. “Como assim?”, ela se perguntava. Em que parte da história começou a romantizar esse relacionamento?

Marta então começou a sufocar-se com aquele sentimento de amor. Queria que Otto soubesse, mas não sabia se contar-lhe seria a coisa certa a fazer. Ficou pensado na reação dele, se questionando se ele iria se assustar e terminar tudo. Então ela resolveu tomar as rédeas da situação e com o coração apertado, pois fim a relação, deixando claro que fazia aquilo por conta do que se passava em seu coração.

No entanto, Marta não era mais dona dos seus pensamentos, muito menos das suas vontades, queria tirá-lo da sua vida, mas ele não saia de seu coração. E ela se viu dizendo pra ele que não conseguia abrir mão de estarem juntos. As trocas de mensagens continuaram até que numa certa manhã, não houve resposta, ele nem visualizava mais.

Ela então se viu num déjà-vu, sofrendo pelo mesmo homem, mais de 20 anos depois. Era como se os dias apenas passassem, não havia alegria. Marta descontava tudo nos treinos de corrida. Ali era sua válvula de escape. Mas não era raro ela se pegar com os pensamentos voltados para Otto. Como ela gostava dos seus beijos, do seu sorriso.

Os dias não mais passavam, se arrastavam. Otto saiu de sua vida como entrou, inesperadamente. Mas deixou uma lacuna que Marta, antes tão decidida a não preencher, agora sentia falta. Ela agora queria um grande amor.







sábado, 13 de maio de 2017

Balada Bolpebra

Saí do jornalismo, larguei a profissão. Isso foi lá pelo mês de junho do ano passado, de lá pra cá não escrevi mais uma linha, mas hoje me deu vontade de voltar a escrever, não por obrigação, por amor a profissão (que eu amo de verdade), mas por necessidade de me sentir útil no mundo da escrita.

Portanto, o teor será estritamente pessoal, nada de matérias jornalísticas, artigos ou algo assim. Somente o divertimento guiará meus dedos durante a escrita. E hoje vou compartilhar minha aventura de carro com mais três amigos rumo a Bolívia e ao Peru, a qual carinhosamente apelidamos de Balada Bolpebra.

Partimos numa sexta-feira eu, Cristina, Suziane e Thiago para curtir uma noite pra lá de agitada no famoso Lennon que fica no Departamento de Pando, cidade boliviana que faz fronteira com Brasileia. Eu nunca tinha ido ao local, por tanto, via a situação como uma grande oportunidade de conhecer um dos locais mais badalados da vizinha cidade.

No entanto, como na minha vida tudo o que pode dar errado, certamente dará, ao chegarmos no local nos deparamos com o Lennon fechado. Decepção total. Como íamos beber optei em não ir dirigindo, então fizemos como a Angélica e fomos de taxi.

Gente, o taxista brasileiro cobrou a “bagatela” de R$ 30,00 para levar a gente e queria cobrar mais trinta para deixar na boate, já que o local que tínhamos ido estava fechado. Rapaz, R$ 60,00 de taxi é muito dinheiro ó, ainda mais que o local não era distante. Descemos do taxi decididos a pegar um que fosse boliviano, só que para nossa alegria, SQN, não havia nenhunz inho por lá.

Desespero? Que nada, tinham alguns moto-taxistas e foi com eles que seguimos para a boate. Só que na Bolívia, é proibido andar de capacete, então, fomos sentindo toda a liberdade que a moto nos proporciona, sentindo aquele vento batendo no rosto, a poeira entrando nos olhos e os cabelos se assanhando.

Mas olha, confesso que foi muito divertido. Seguimos os quatro, cada um em uma moto. Eu, com quase nenhuma experiência de andar de moto, muito menos de moto-taxi, tratei logo de dar uma ‘encoxada’  no rapaz. Subi na moto e fui meio que me aninhando perto dele, até que me toquei que essas coisas a gente faz com o namorado. Claro que virei piada na rodinha né?

Lá na tal boate que não lembro o nome, foi ótimo. Só que segundo as leis de Pando, a festa encerra-se as 3 da manhã. O que quase aconteceu, mas o pessoal tava tão empolgado que o DJ continuo a tocar, no entanto, eis que uns 20 minutos depois, “la policia” chegou pra acabar com a festa. Eu-nun-ca-ti-nha-pas-as-do-por-uma-si-tu-a-ção-des-as! Mas novamente foi divertido!

Voltamos ao Hotel e fomos dormir para pegarmos a estrada no outro dia para Puerto Maldonado no Peru. A noite jantamos uma pizza, paramos num barzinho de roqueiros para fazer um esquenta e depois fomos pra boate. Estávamos na fila quando um rapaz me abordou perguntando se eu era brasileira.

O rapaz disse que era de Rondônia, que estava lá a trabalho e que estava indo para o Hotel, fiquei meio sem entender, porque sou dessas, desligada mesmo. Então, ele pediu meu contato e pediu que eu mandasse mensagem quando tivesse saindo de lá (nesse momento a ficha caiu). Mesmo eu dizendo que não iria lhe passar meu contato, que não tinha nenhum interesse nele, o rapaz continuo insistindo, até que dei a desculpa do “sou casada” e ele me deixou em paz. Quando fui reclamar com a Cristina pelo fato de ela ter me deixado sozinha com ele, ela abarcou essas resposta: amiga você vive dizendo que gosta de homem feio, achei que tava ajudando!

Ai gente, eu ri demais! Mas enfim, no outro dia pegamos a estrada e voltamos para casa. Foi um final de semana incrível, inesquecível, delicioso e que certamente queremos repetir.