Até o quinto mês de gestação eu achava que estava esperando um menino, e justo quando eu escolhi o nome dele, descobri durante uma ultrasonografia que seria uma menininha. Assim que sai do consultório eu já sabia que iria se chamar Júlia e que eu carinhosamente sempre a chamaria de Julinha.
Ela veio ao mundo prematura, mas, cheia de saúde, hoje aos 15 anos é uma mocinha linda, educada, meiga, carinhosa, inteligente e responsável. Ao contrário de muitos pais que conheço, nunca foi preciso que eu fosse até a escola suplicar notas a professores ou muito menos, que eu fizesse um trabalho escolar dela.
Se hoje ela cursa o último ano antes de entrar na faculdade, o mérito é todo dela e não de influência financeira minha. Assim como, tenho certeza, sua entrada na faculdade também será conseqüência de sua dedicação.
E é por isso que a cada dia eu me orgulho mais dela. Não me importo se ela é loura ou morena, gorda ou magra, alta ou baixa. Importo-me, é se ela tem caráter, se usa droga ou se um dia vai beber e sair por fazendo do carro uma arma. E sem vergonha nenhuma eu digo, se mexer com ela, eu viro bicho! Por tanto, meça suas palavras e seus adjetivos ao se referir a minha filha ou ganhará uma inimiga para o resto da vida.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
domingo, 28 de agosto de 2011
Jornalistas querem criar rede de assessores de comunicação
Um grupo de jornalistas em assessoria de comunicação começou a se reunir desde o dia 23 deste mês, para discutir a criação de uma rede de profissionais que atuam nessa área. De lá para cá já foram dois encontros e o terceiro já está marcado para a semana que vem.
Não tem ninguém querendo inventar a roda, a pólvora ou ainda a próxima coca-cola. O objetivo é muito simples e chama-se parceria, ou quem sabe coleguismo. É apenas o anseio pela troca de informações e de experiências sobre o dia-a-dia da nossa profissão.
E sabe o que é mais bacana? É que a idéia partiu de pessoas que já atuam em assessorias ha muito tempo, que sabem desempenhar muito bem suas funções. Mas são pessoas abertas a novos conhecimentos, novas experiências, pessoas que como dizia o Gonzaguinha cantam a beleza de serem eternas aprendizes.
É com o maior orgulho que estou fazendo parte dessa turma que quer fazer a diferença no que trabalham, porque certamente o fazem com amor. Aliás, amor pela profissão, anda muito em baixa ultimamente, seja qual for a formação, o negócio é ganhar dinheiro, independente do respeito ao próximo.
Eu acredito firmemente que essa rede vai pra frente, porque vejo o brilho no olhar de cada jornalista que participa dessas reuniões. E a vontade de que as pessoas tomem consciência de que vida de assessor não é mole só porque ele ler jornal e passa o dia na internet, isso é função primária e essencial dentro de uma assessoria. Por isso leitor, se um dia você passar por uma sala de assessoria de comunicação e ver os jornalistas lendo jornal, não pense que ele está fazendo isso por falta de trabalho, porque é justamente o contrário, ele está executando uma das suas tarefas diárias.
O Assessor hoje, precisa ser uma pessoa antenada não só com a velha imprensa escrita, mas interagir com facilidade com as novas mídias sociais, como explica muito bem Rivaldo Chinem em seu livro “Assessoria de Imprensa, Como Fazer”. Segundo ele “a modernização da sociedade trouxe ao ser humano a necessidade obter cada vez mais informação, o que, em larga escala, levou ao desenvolvimento dos meios de comunicação de massa. Essa situação, por sua vez, também fez com que indivíduos e organizações passassem a vislumbrar no noticiário transmitido por jornais, revistas, emissoras de rádio, de televisão e na rede mundial de computadores a sua grande possibilidade de divulgar fatos e opiniões para a sociedade”.
Diante de tudo isso, essa rede que está se formando agora, certamente contribuirá bastante para aproximar a categoria e criar um canal de aperfeiçoamento das técnicas e instrumentos do exercício da profissão de jornalista em assessoria de comunicação e de imprensa aqui no nosso querido Acre.
E plagiando o grande comunicador brasileiro Aberlado Barbosa, que até hoje ainda está com tudo e não está prosa, mando aquele abraço para Socorro Camelo, Charlene Carvalho, João Petrolitano, Moisés Alescastro, Tiago Teles, Eduardo Duarte, Annie Manuela, Andréia Carvalho, Igor Martins e pra você Xuxa.
Bom domingo minha gente!
sábado, 27 de agosto de 2011
Tente, invente, faça um dia dos pais diferente
Uma vez por ano, nos dedicamos a carinhos, comidinhas, denguinhos e presentinhos para os nossos pais. Todo segundo domingo de agosto é assim, café, almoço ou jantar de primeira qualidade ou de acordo com que nossos bolsos podem bancar.
Até o ano passado eu tinha dois pais. Esse ano, infelizmente minha lista diminuiu, mas o amor ainda é o mesmo. Não vou ficar aqui falando elucubrações sobre esse assunto, porque tenho consciência de que já falei demais sobre ele em colunas passadas.
O que eu quero mesmo falar é que não há mais filhos como antigamente, nossa rotina louca de trabalho e casa é bem diferente do que a vida que nossos pais levavam a pouco menos de 30 anos atrás. Consequentemente essa nossa rotina corrida alterou a forma de comportamento dos nossos filhos hoje.
Eu sou do tempo em que meninas brincavam de pular elástico, jogar pedrinhas, muita manja, esconde-esconde, patins, bicicleta, bandeirinha e claro a boa e velha salada de frutas (pêra - uva - maçã - salada mista). Hoje observo minha filha adolescente e vejo o quanto a geração dela está sendo diferente da minha.
Brincar na rua descalça de todas essas brincadeiras que eu já falei era um martírio. O negócio dela sempre foi computador e televisão. Só que agora, essa constatação que estou dividindo aqui com vocês, ganhou confirmação científica. Oh! Agora sim, podemos acreditar no que todo mundo já sabe.
A pesquisa foi encomendada por adivinhem quem? Discovey Kids, aquele mesmo canal de assinatura que nossos filhos passam horas assistindo e que muitas vezes atua como educadores das nossas crianças. Lá em casa mesmo, minha caçulinha de dois anos, já sabe algumas cores, formas e até palavras em inglês graças a ele.
Mas vamos ao que interessa, a pesquisa foi feita com 1.500 assinantes e descobriu que 89% dos pais entrevistados, costumavam brincar na rua e que 77% tinham o hábito de ir a pé para a escola. Eu estudava no Cnec, lá no Segundo Distrito, colégio de freiras (bem que vovó tentou colocar juízo na minha cabecinha desde cedo) e adorava vir a pé para casa. Na volta, dava aquela paradinha oficial na praça em frente ao quartel da Polícia Militar e aí sim, seguia para o sossego do meu lar.
Atualmente, menos de 15% das crianças de até dez anos de idade andam por ai sem a companhia de um adulto. Outra diferença é que antigamente 51% dos pais andavam sozinhos de ônibus, hoje apenas 1% dos filhos faz isso. Vou citar de novo o exemplo lá de casa, minha filha deve ter andado de ônibus duas ou três vezes na vida. Tá certo que ela volta a pé da escola, mas vai de carro, mamãe faz questão de deixar o bebê dela na porta da escola todos os dias (se ela ler esse trecho ela me mata).
Essa mudança é refletida pelo medo da violência que assola a vida moderna. Isso faz com que os pais mantenham seus filhos longe das ruas, seguros no aconchego do lar. Diminuiu também o número de crianças que dormem na casa de amigos ou que recebem amigos para jogar vídeo-game. Como toda ação tem uma reação, os pais tentam compensar isso, dando mais autoridade aos filhos, dando o poder de eles escolherem o que querem comer, o horário de dormir e o programa na televisão. A pesquisa aponta que 64% das vezes em que pais e filhos assistem televisão juntos, são as crianças que escolhem o que será visto.
Além disso, o levantamento aponta que 57% das crianças possuem um aparelho de TV no quarto, 19% deles já desfrutam de um aparelho celular , 96% dessas famílias contam com banda larga em casa e um terço dos pesquisados contam com a ajuda da internet para fazer seus deveres de casa.
Essa pesquisa me chamou a atenção pela diferença gritante de estilos de vida em gerações tão próximas. Nossos filhos andam se relacionando com os amigos muito mais por telefones e computadores do que pessoalmente.
Sabedores disso, porque não fazemos um Dia dos Pais diferente, em vez do conforto do ar-condicionado, que tal um passeio pelo Parque Chico Mendes ou mesmo, uma brincadeira qualquer na frente de casa?
Um feliz Dia dos Pais a todos!
*Texto publicado no jornal Página 20 de 14 de agosto de 2011.
Tão Acre
Tem dias que começar a escrever é uma coisa muito difícil, mesmo quando se tem o tema, ou já saiba mais ou menos o que e como dizer ao leitor. Acho que hoje estou num desses dias. O que me fez lembrar meu querido professor Dandão, que em sala de aula costumava conversar sobre isso.
Em uma das muitas aulas dadas, ele falou que tinha gente que se inspirava até com uma folha de árvore que caia para escrever uma boa crônica. Bom... Eu estou aqui, olhando para todos os lados à espera de presenciar a queda de uma mísera folhinha, e nada... Somente o calor irritante soprando no meu ouvido o quanto ele pode ser desconfortável.
Em tempo de botas, chapéus, camisas de mangas compridas dobradas até o cotovelo, cintos com enormes fivelas e calças jeans, eu imagino que não seja nada confortável estar trajado assim. Aliás, por falar em conforto, a Expoacre mudou muito do que era há uns 30 anos - e para melhor, que isso fique claro.
Quando eu era criança não passava de duas ruas, uma era trafegável a outra só Jesus na causa, também tinham algumas baias, estandes do governo e um parque de diversões cheio de tétano. Era preciso rezar muito para não chover, porque corria o risco de atolar tanto de carro quanto a pé. Na verdade era uma verdadeira trilha. Ir de sandália aberta para lá, até 1996 era um mico, pois era terra e lama pra todo lado.
Hoje tá tudo asfaltado, o parque cresceu, ta lindo de ver. Não precisamos mais ficar andando de um lado para o outro em um só caminho.
E ainda tem quem diga que a gente não melhorou, que o governo que está aí, não fez nada. É povo do gol contra, só joga a favor de si mesmo, a população que se exploda porque o mais importante é voltar ao poder. Aquele mesmo que eles já tiveram na mão, e eles sim, não fizeram nada.
Alguém aí lembra quando viajávamos de férias e aterrisávamos no aeroporto que antes ficava lá do Segundo Distrito? Dava até depressão de voltar pra um lugar tão maltratado, com as ruas cheias de buraco e lama. Uma tristeza só.
Tá certo que o ser humano nunca está satisfeito com nada, até porque se isso um dia acontecer, é sinal de que se acabaram os sonhos e viver sem sonhos é o mesmo que não viver, mas tem gente por aí enganando o povo, dizendo que briga por melhoria, quando na verdade briga mesmo é pelo status que perdeu.
Vai passando por cima de tudo e de todos, mais parece um trator do mal, que vai espalhando veneno por onde passa, na tentativa de desconstruir uma imagem boa, já que em sua maioria, essas pessoas estiveram no poder, alguns até como “pasteiros” (aqueles que vendem coisas ao governo) e talvez por não verem seus nomes no Diário Oficial, se sintam tão incomodados com as realizações do governador Tião Viana, como diria Zé Leite, #tãoacre!
*Texto publicado no Jornal Página 20 de 31 de julho de 2011.
A vida não segue nossos planos
Ainda jovens, meus avós maternos José Higino e Mariinha e suas três filhas (tia Jeanett, tia Jeize e minha mãe Janne) trocaram sua terra natal pela capital acreana. Chegando aqui, foram morar de aluguel em uma casinha humilde localizada no bairro da Base, bem próximo à Rádio Difusora. Era de lá que ele saía a pé todos os dias para exercer sua função de delegado de trânsito no Bairro Quinze.
Os anos se passaram e vovô se tornou um pequeno empresário do ramo cafeeiro. Começou apenas torrando os grãos de café no fundo do quintal, depois arrumou um sócio e logo a empresa começou a prosperar, tanto que foi graças a ela que a família conseguiu comprar um terreno em local privilegiado da cidade, para posteriormente construir a casa própria.
Mas foi numa visita do irmão Luis Higino, que vovô resolveu apressar sua mudança, haja vista haver na vizinhança, um bar que funcionava até tarde. “Isso não é ambiente saudável para as meninas que já estão ficando mocinhas”, disse Luis. Foi então que conseguiram uma casa, na qual vovô não precisaria pagar aluguel e onde morou com a família até terminar de construir a sua. Da Base eles se mudaram para o Ipase.
Passados aproximadamente três anos, a tão sonhada casa ficou pronta. Agora eles tinham um verdadeiro lar. Orgulhoso do feito, vovô sempre dizia que graças ao trabalho e principalmente ao esforço, conseguira proporcionar a família uma casa confortável.
Mas vejam vocês leitores como a vida da gente não segue nossos planos. Depois da casa construída, as filhas foram tomando direções na vida. A mais velha casou, em seguida a do meio foi morar no Rio de Janeiro e por fim, não muito depois, a caçula também casou.
A casa que fora idealizada para toda a família, agora abrigava somente o casal e um sobrinho (Correinha) que ainda criança viera morar com eles. Sobrava espaço. Mas como a vida segue, logo chegaram os primeiros netos e foi nessa leva que eu nasci.
Poucos anos depois de casados papai e mamãe se separam e no meio desse processo eu fui morar com meus avós. Eu tinha mais ou menos uns três anos e vejam vocês, que o quarto anteriormente construído para três mocinhas agora era só meu, ou seja, eu tinha um quarto bem grande.
Mas independente do tamanho do quarto, foi na casa de número quatro, da rua João Donato que tive o privilégio de ter como referência de vida duas pessoas maravilhosas. É nessa casa que estão todas as minhas lembranças, seja da infância, da adolescência e até mesmo de adulta.
Passados oito meses de falecimento do vovô, muita coisa mudou e mudou porque a vida não pára esperando por ninguém, ao contrário, segue em um ritmo frenético, e eu de uma covardia sem tamanho, ainda não tinha voltado a casa em que passei a maior parte da minha vida. Essa semana foi inevitável, tive que ir lá e ao entrar e ver aquele vazio tomando conta dela, me fez chorar muito. De repente eu percebi que embora a grama ainda esteja verde a casa também morreu um pouco junto com ele.
O certo é que em minha memória sempre estará aquela casa branca, de portas e janelas vermelhas, jardim bem cuidado, vovô lendo um livro, vovó fazendo seu crochê enquanto eu, protegida por eles, sonhava com um mundo cor de rosa.
* Texto publicado no jornal Página 20 de 17 de julho de 2011.
Os anos se passaram e vovô se tornou um pequeno empresário do ramo cafeeiro. Começou apenas torrando os grãos de café no fundo do quintal, depois arrumou um sócio e logo a empresa começou a prosperar, tanto que foi graças a ela que a família conseguiu comprar um terreno em local privilegiado da cidade, para posteriormente construir a casa própria.
Mas foi numa visita do irmão Luis Higino, que vovô resolveu apressar sua mudança, haja vista haver na vizinhança, um bar que funcionava até tarde. “Isso não é ambiente saudável para as meninas que já estão ficando mocinhas”, disse Luis. Foi então que conseguiram uma casa, na qual vovô não precisaria pagar aluguel e onde morou com a família até terminar de construir a sua. Da Base eles se mudaram para o Ipase.
Passados aproximadamente três anos, a tão sonhada casa ficou pronta. Agora eles tinham um verdadeiro lar. Orgulhoso do feito, vovô sempre dizia que graças ao trabalho e principalmente ao esforço, conseguira proporcionar a família uma casa confortável.
Mas vejam vocês leitores como a vida da gente não segue nossos planos. Depois da casa construída, as filhas foram tomando direções na vida. A mais velha casou, em seguida a do meio foi morar no Rio de Janeiro e por fim, não muito depois, a caçula também casou.
A casa que fora idealizada para toda a família, agora abrigava somente o casal e um sobrinho (Correinha) que ainda criança viera morar com eles. Sobrava espaço. Mas como a vida segue, logo chegaram os primeiros netos e foi nessa leva que eu nasci.
Poucos anos depois de casados papai e mamãe se separam e no meio desse processo eu fui morar com meus avós. Eu tinha mais ou menos uns três anos e vejam vocês, que o quarto anteriormente construído para três mocinhas agora era só meu, ou seja, eu tinha um quarto bem grande.
Mas independente do tamanho do quarto, foi na casa de número quatro, da rua João Donato que tive o privilégio de ter como referência de vida duas pessoas maravilhosas. É nessa casa que estão todas as minhas lembranças, seja da infância, da adolescência e até mesmo de adulta.
Passados oito meses de falecimento do vovô, muita coisa mudou e mudou porque a vida não pára esperando por ninguém, ao contrário, segue em um ritmo frenético, e eu de uma covardia sem tamanho, ainda não tinha voltado a casa em que passei a maior parte da minha vida. Essa semana foi inevitável, tive que ir lá e ao entrar e ver aquele vazio tomando conta dela, me fez chorar muito. De repente eu percebi que embora a grama ainda esteja verde a casa também morreu um pouco junto com ele.
O certo é que em minha memória sempre estará aquela casa branca, de portas e janelas vermelhas, jardim bem cuidado, vovô lendo um livro, vovó fazendo seu crochê enquanto eu, protegida por eles, sonhava com um mundo cor de rosa.
* Texto publicado no jornal Página 20 de 17 de julho de 2011.
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