sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Choro engasgado

Esse sentimento que ainda não consegui identificar não sai do meu peito. Uma crise de ansiedade, que me falta o ar. Se ao menos eu conseguisse chorar. O peso das responsabilidades as vezes chega com tudo e o que eu mais queria era voltar a ser criança...

Poderia ter sido um sexo gostoso

Eles se conheceram no trabalho, se deram bem desde o primeiro momento, afinal ele parecia ser um cara bacana, riso fácil, boa conversa, sorriso bonito. Mas quando ela trocou de emprego, nunca mais se viram. Certa vez ela o viu na praça, ficou observando seu jeito de caminhar enquanto conversava com uma mulher. Nesse momento gostou dele mais do que deveria.

Benditas são as redes sociais, conectam e também possibilitam uma certa investigação na vida da pessoa. Após uma breve stalkeada, ela percebeu que ele estava solteiro, resolveu então mandar-lhe uma mensagem com o intuito de aproximação, afinal, agora ambos estavam separados.

Deu certo, trocaram telefones, inúmeras mensagens pelo wattsup, até que o primeiro encontro aconteceu. Ele optou em ir na casa dela. Tomaram umas três cervejas, algumas doses de cachaça, conversa fluia deliciosamente. Ela ficou um pouco alta pelo efeito do álcool, pois devido a correria do dia, não havia se alimentado muito bem, não havia nem jantado. Isso fez com que o enxergasse com um sorriso ainda mais bonito do que possuía.

Em um determinado momento ele a puxou para perto, eles se beijaram, foi um beijo gostoso, quente, somado a um abraço apertado e os amassos que vieram a seguir foram inevitáveis. De repente ela sentiu as mãos dele tocando entre suas pernas, ela foi ficando cada vez mais lânguida e os beijos se sucediam repetidamente... Não houve sexo, mas a sintonia entre os dois era evidente, pelo menos ela achava que era.

Marcaram de ver novamente, mas não se viram, as conversas ocorriam somente pelo wattsup. Um dia ele mandava aqueles memes bobos, no outro a conversa se tornava um pouco mais picante até que marcaram uma data para se encontrarem novamente. Nesse dia ele não apareceu, não retornou ligação, nem mensagem no watts, aliás, desse dia em diante não se falaram mais. Era como se nada tivesse acontecido, como se fosse apenas um sonho que ela havia tido.

Ela ficou confusa, chateada, triste, queria chorar, colocar pra fora a decepção que tinha passado, mas não conseguiu. Pensou que um filme triste poderia ajudar, não conseguiu se concentrar. Pensou em músicas que a fizessem colocar pra fora esse sentimento, também não deu certo. Só conseguia pensar que não entendia o que tinha acontecido, o porque de ele passar a ignorá-la após tantas conversas agradáveis.

Pior, que nem conseguia se sentir usada, pois passou então a inventar desculpas bobas se culpando pelo sumiço dele, embora no fundo, ela soubesse que não havia feito nada de errado. Apenas o havia desejado como homem, não havia amor nessa relação. Mas ele conseguiu magoá-la profundamente, pois pela maneira que conduziu toda a situação deixou claro que nem a amizade dela importava pra ele.


Ela percebeu que era hora de seguir em frente, parar de pensar no que poderiam ter vivido, no sexo gostoso que poderia ter rolado, mas vez ou outra ela ainda se pegava com os pensamentos voltados para ele... 

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Romantização dos fatos

Tava aqui elucubrando com meus botões sobre romantização dos fatos passados, não sei se isso é coisa feminina ou se os homens também costumam fazer isso, mas o fato é que nós mulheres, e eu em especial, temos a terrível mania de romantizar os fatos. Agora eu pergunto, para quê? E eu mesma respondo, somente para ficarmos sofrendo, já que essa romantização nos leva a crer que o que vivemos no passado é melhor, mais bonito, mais gostoso (sim também romantizamos quando o assunto é comida, já já explico), enfim...

O certo é que quando temos a oportunidade de vivenciar novamente em nossas vidas alguma situação ou sabor a decepção é inevitável, porque claro que não será mais essa coca-cola toda. Isso serve para uma comida que experimentamos naquelas férias maravilhosas ou mesmo para aquele caso de amor de fim inesperado que deixa sempre um gostinho de quero mais.

Explico melhor relatando um exemplo simples do que aconteceu comigo em uma viagem de férias para Curitiba. Por lá descobrimos um sanduíche feito com croissant, era uma delícia, gosto sem igual, simplesmente inesquecível. Ocorre que passei anos sem voltar a Curitiba, mas vez ou outra o sabor daquele sanduíche me fazia salivar, até que finalmente retornei àquela cidade que me proporcionou tanto prazer gastronômico.

Primeira oportunidade que tive, lá estava eu no balcão pra pedir meu sandubinha querido e inesquecível. Na hora da primeira mordida foi uma decepção, onde estava aquele sabor inigualável? Cheguei a me questionar se teria feito o pedido certo, se o recheio era o mesmo que eu costumava comer. Que nada, o que realmente aconteceu é que eu gostei tanto daquelas férias que tudo que se relacionava a ela eu tratava com romantismo, ou seja, tudo era bom, era melhor do que a média, mesmo o que nem era assim lá essas coisas. Tudo porque eu me apaixonei por aquelas férias.

Agora se consigo romantizar o sabor de um sanduíche, dá para imaginar o que sou capaz de fazer quando o assunto é romance mesmo né? 

terça-feira, 6 de junho de 2017

Camisinhas, camisetas e surdez

Esses dias eu fui no posto de saúde levar meu pai pra tomar uma injeção. Chegando lá vi uma caixa com camisinhas em cima do balcão, achei aquilo o máximo. É só chegar e pegar, não precisa falar nada com ninguém, não precisa ficar morrendo de vergonha pra pedir porque simplesmente está ali, super fácil de adquirir.

Resolvi pegar algumas e colocar na minha bolsa. Nesse momento meu pai virou a cara pro outro lado, fazendo o tipo o que os olhos não veem o coração não sente. Mas eu não sou fácil, tava me divertindo com a situação, então sentei ao lado dele e disse: Vou levar umas camisinhas. Pense num tiro que saiu pela culatra!

Em alguns momentos o papai ou é ou se faz de surdo e foi ai que começou o diálogo completamente maluco que vou descrever abaixo:

Ele: - Camiseta? (Não preciso dizer que ele estava quase gritando, já que nesta situação ele estava surdo. Então imaginem vocês uma recepção de posto de saúde e todos ouvindo o agradável bate-papo).
Eu: - Isso, camiseta. (Esse foi o momento em que fiquei com vergonha de ter começado a brincadeira, porque simplesmente as pessoas começaram a prestar atenção a nossa conversa).
Ele: - De farda?
Eu: - Sim, farda.
Ele: - Pra quem? Pra Júlia? (Júlia é minha filha de 21 anos)
Eu: - É, farda de aula pra Júlia!
Ele: - E ela estuda onde?
Eu: - Na Ufac.
Ele: - Ah ta.


Graças a Deus o assunto morreu ai.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Vida que segue...

Quando retomou o relacionamento com Pedro ela tinha certeza que iria se dar mal novamente. Foi assim da primeira vez e certamente não seria diferente da segunda. No entanto, Joana quis arriscar, confiou na sua peteca. O sexo com ele era bom, o desejo aflorava todos os dias. Muitas horas se passavam com ela relembrando os momentos de prazer que tinha ao lado dele.

De repente ela se viu completamente apaixonada. Isso não seria problema se Pedro não fosse casado, mas ele era. E o que poderia ser maravilhoso, continuou sendo, mas rodeado por uma sombra. O grande problema não era o casamento, mas sim o pouco tempo que ele dispunha pra ela. Isso sim foi cortando seu coração até o ponto de ela resolver se abrir pra ele e contar-lhe todo o sentimento que fervilhada dentro dela.

No ato louco ela confessou sua paixão por ele e como a normalidade não fazia parte de suas ações, decidiu que seria hora de por fim ao relacionamento. Passaram aproximadamente 30 minutos terminados (isso na cabeça dela, é claro), reataram em seguida.

Os dias que se passaram foram agradáveis, mas se resumiram a conversas de whattsApp. Até que de novo ele saiu de sua vida, do mesmo jeito que entrara, de uma hora pra outra, igualzinho ha anos atrás. Ela sofreu nos primeiros dias, até tentou reiniciar uma conversa, mas depois percebeu que simplesmente tinha confundido sexo bom com paixão. Sacudiu a poeira, balançou os cabelos e seguiu em frente, afinal vida que segue...