sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Paixão



Paixão é quando apesar da palavra "Perigo" o desejo vai e entra!

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

O primeiro amor de Clara

Clara aos quinze anos de idade era uma moça divertida e bem humorada. Sempre de bem com a vida, dividia seu dia entre os estudos e o voleibol, seu esporte favorito. Na verdade Clara gostava mesmo era do vôlei e deixava seus estudos sempre para depois, atitude essa refletiva na sua reprovação escolar no final do ano.

Pois bem, Clara aos quinze anos resolveu que iria namorar, afinal já estava ficando velha e como diziam seus amigos, “estava passando do ponto”. Por coincidência a casa ao lado da sua havia acabado de receber novos inquilinos, mãe e dois filhos. Por curiosidade ou não Clara começou a observar o movimento dos vizinhos recém-chegados. Aos poucos ela foi se apaixonando por Henrique, o filho caçula. A paquera era correspondida e alguns meses depois eles começaram a namorar.

Clara estava feliz da vida, Henrique também. Aliás vale ressaltar que ele aos 18 anos já era um verdadeiro cavalheiro. Fazia questão de estar esperando pela namorada na parada de ônibus que ela sempre descia quando voltava da escola e vivia sempre presenteando-a com pequenos mimos, próprios da adolescência.

Aos olhos dos outros eles eram um casal feliz. Brigavam e brincavam um com o outro com a mesma facilidade. Trocavam recados e se controlavam pelas janelas de suas casas. Porém algo no casal incomodava as pessoas. Clara não entendia, achava tudo normal. Gostava de Henrique e ele dela e assim achava que esse era o rumo natural das coisas. Porém Henrique era negro e Clara tinha uma pele que de tão branca parecia algodão. O contraste do jovem casal aos olhos de algumas pessoas não era nada agradável.

Mas Clara que sempre achou que as pessoas deveriam ser valorizadas por seu caráter e suas ações e não pela cor da pele, acreditava que todas as pessoas eram iguais a ela e por isso não percebia que os olhares curiosos e os narizes torcidos que o casal recebia era por causa do contraste das cores. E assim Henrique e Clara seguiram adiante até o fim do amor juvenil e foram felizes enquanto vivenciavam as emoções do primeiro amor.

domingo, 26 de agosto de 2007

Sábado a tarde, beira do rio, cerveja gelada e boas amigas...





Coisas que odeio em você


"Odeio o modo como fala comigo

E como corta o cabelo

Odeio como dirigi o meu carro

E odeio seu desmazelo

Odeio suas enormes botas de combate

E como consegue ler minha mente

Eu odeio tanto isso em você

Que até me sinto doente

Odeio como está sempre certo

E odeio quando você mente

Odeio quando me faz rir muito

Mais quando me faz chorar...

Odeio quando não está por perto

E o fato de não me ligar

Mas eu odeio principalmente

Não conseguir te odiar

Nem um pouco

Nem mesmo por um segundo

Nem mesmo só por te odiar"



* Desconheço a autoria

A história de Fernanda

Aos vinte e dois anos de idade Nanda, assim chamada carinhosamente pelos amigos mais próximos, achava que já tinha sofrido sua maior decepção amorosa. Nos braços ela balançava sua filha que tinha pouco mais de três meses de nascida. O amor que transbordava de mãe para filha foi o que deu a Nanda a força para seguir adiante com sua vida de mãe solteira. Mas o que ela realmente não imaginava é que o destino lhe reservara uma surpresa oito anos mais tarde. E ao acordar pela manhã no primeiro dia de casada ao lado do pai de sua filha ela achou que a felicidade estava completa. Enfim, uma vida normal, casa, marido, filha para cuidar e trabalho para poder ajudar no sustento da casa.

Mas o que Nanda não contava é que a convivência de um casal não é nada fácil, principalmente quando não gozam de estabilidade financeira. Ela queria melhorar de vida, arrumar um emprego que não lhe pagasse somente quinhentos reais, quem sabe até voltar a estudar. Sim pq ela havia parado de estudar depois do nascimento da pequena Mariana.

O grande amor de Nanda tudo suportava e tudo vencia. As traições do marido, o comodismo em não arrumar emprego e passar boa parte do dia dormindo, os olhares acusadores da família, isso tudo pq ela achava que estava feliz e que seu amor tudo superaria. No entanto os dias foram se passando e com eles os anos foram chegando e ela percebeu que nada mudara. A vida estava estagnada. Alguns poucos fios de cabelos brancos lhe mostravam que a vida estava passando por sua mão e que ela nada fizera de tão grandioso. Não tinha cursado uma faculdade e consequentemente não tinha um bom emprego. Seu marido tinha terminado um curso superior, mas tinha uma enorme falta de ambição e ainda estava desempregado. A pequena Mariana, já estava com dez anos, daqui mais uns anos começaria a namorar e Nanda pensou que não queria estar vivendo essa vida medíocre para sempre.

Ela então resolveu voltar a estudar, se inscreveu e passou no vestibular. À volta as aulas foi muito estranho para Nanda que se encontrava a pelo menos dez anos sem estudar. Mas ela gostou e logo se adaptou. Começou a ficar ávida por conhecimentos e sugava-os como água. Nanda experimentava agora uma felicidade diferente e esquecida por ela há muito tempo atrás. Ela tinha voltado a se amar e a se ver como mulher. Fernanda não era feia, ao contrário, era uma moça bonita, de olhos e longos cabelos castanhos, porém a vida tinha cuidado de maltratá-la um pouco, também havia cuidado de tirar quase toda a sua vaidade. Mas agora as coisas estavam mudando, ela começava a se enxergar como mulher. E se amou verdadeiramente.

Esse amor que começou a sentir por si mesma lhe tirou toda a fragilidade acumulada ao longo desses anos em seu casamento, que a essa altura já estava falido. Ela viu que esse não era o homem que ela queria envelhecer ao lado. Nanda percebeu que a vida não era só essa que ela levava junto a Pedro. Nanda queria mais, muito mais. E então o inevitável aconteceu, a separação. Não que ela não tenha sofrido, afinal foram muitos anos juntos, mas ela se sentiu aliviada e percebeu que agora ela poderia realmente voar.

A mudança física e psicológica era visível. Sua alto-estima havia voltado e com ela sua vaidade. Nanda agora era uma outra mulher. Uma mulher que escovava os cabelos, pintava as unhas e se maquiava. Sua beleza que ficara escondida ao longo desses anos reaparecia luminosa. Ela agora não ganhava só quinhentos reais por mês, pois também havia arrumado um novo emprego. Tudo ia bem, sua filha estudando em escola particular, a faculdade quase sendo concluída, Nanda estava feliz, porém um pensamento às vezes vinha lhe perturbar o sono, ela não conseguia se apaixonar novamente. Nanda começou a sentir falta de ser frágil, de brigar por ciúmes de ter alguém que segure a sua mão e saia pelas ruas da cidade.

O problema é que de tão forte que se transformou ela não consegue deixar que ninguém rompa esse amor que adquiriu por ela mesma. Fernanda agora busca se entregar e se permitir viver uma relação a dois. Talvez ela tenha medo de se trair, mas mesmo assim ela agora é uma pessoa muito mais feliz.