domingo, 21 de dezembro de 2008

Presentes de Natal


Bem que eu queria que minha árvore de natal estivesse assim, lotada de presentes. No entando, hj já é 21 de dezembro e nenhum presente foi comprado. Sorte a minha que as lojas ficam abertas até tarde durante o período que antecede o natal.



Dedicatória

Esta foi a dedicatória que fiz na minha monografia aos meus avós:

Dedico esta monografia ao meu avô José Higino, a quem agradecerei sempre por tudo o que eu conseguir na profissão de jornalista, pois ele é a minha inspiração, referência e meu orgulho. Ele é meu ídolo.

Dedico também à minha avó Mariinha que infelizmente não está mais entre nós para presenciar esse momento, mas se faz necessário agradecer a educação recebida, o exemplo de luta, o amor dedicado que me faz fortalecida até hoje.

É a vocês que eu dedico essa vitória.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Infiel

Eu tô aqui na casa da Fran fazendo a última revisão da minha monografia, antes da tal encadernação de luxo, e um amigo da irmã dela, começou a falar comigo pensando que era a Manu, disse que tinha escrito um poema. Tratei logo de informar-lhe que eu não era a amiga dele, mas pedi que me mostrasse o poema, ele prontamente me enviou e me deixou publicar aqui no blog para compartilhar com vcs. Abaixo o poema intitulado Infiel, de autoria do Luis Ricardo Albuquerque, amigo da Manu:

Não se deixe levar
Por momentos rasos da vida
Pessoas fúteis amar
Seus sonhos escapar

Não dê importância ao banal
Algo que te faça pobre e vil
De importância senil
Que te faça fraquejar

Busque o que sempre sonhou
Algo sólido, com louvor
De relevância mil
E que do seu coração brotou

Não seja infiel, como me tornei
Às coisas importantes e lindas
Aos objetivos e sonhos
Que um dia tanto almejei

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Marcos e Jorge

Monografia concluída e eu devidamente aprovada, gostaria de compartilhar com vocês o carinho com que me receberam algumas pessoas durante o período que precisei colher dados através de entrevistas. Algumas dessas pessoas eu já conhecia desde criança, tendo em vista, terem trabalhado na rádio que era de propriedade da família de meu pai. Outros conheciam meus pais e meus avós, são eles: Romeu Delilo, William Modesto, Nilda Dantas, José Simplício, mas, de todos os que entrevistei o que mais me marcou foi o historiador Marcos Vinícius das Neves.

Marcos é carioca e chegou ao Acre em 1994, ele é um estudioso da história do Acre e sabe contá-la como ninguém. Eu adoro história (quem sabe um dia faço esse curso), principalmente quando é bem contada.

Isso me fez relembrar de um primo que tenho. Ao contrário do Marcos ele é acreano , mas, mora no Rio de Janeiro há muitos anos e por lá se formou em letras/alemão. Sempre que íamos (eu, vovô e vovó) ao Rio, eu costumava passar tardes inteiras ouvindo as histórias ou estórias que ele costumava me contar. Algumas eram dos filmes que ele assistia, outras dos livros que ele lia, eu só sei que quando ele começava a contá-las, sua voz mudava, seus olhos brilhavam, ele olhava para fora da janela, talvez buscando inspiração no Cristo Redentor, que por lá se via de braços abertos e ia narrando as histórias, chegando muitas vezes até mesmo a cantar algumas músicas que faziam parte da trilha sonora dos filmes.

Me lembro que quando eu chegava em sua casa, ele logo me perguntava:

- Você já assistiu ‘tal filme’ Jannice?

-Não.

- Não assistiu? Mas você precisa assistir, você vai adorar a estória, vou te contar como é.

Daí em diante ele começava a me contar, e o incrível era como ele conseguia descrever cada cena, cada personagem, cada pequeno detalhe. O Jorge (esse é o nome do meu primo) é um contador de histórias, desses que nos faz voar através da imaginação e eu sinto saudades dele e das tardes prazerosas que ele me proporcionava.

Mas, voltando ao Marcos Vinícius, ele me fez relembrar o Jorge pq ele também sabe como contar uma história, ele sabe como hipnotizar o ouvinte, ele torna a história empolgante. E o engraçado é que parece que ele nem sabe disso. Esses dias passeando pela página da Biblioteca da Floresta, dei de cara com alguns artigos que ele escreveu e um deles em especial me chamou a atenção, referia-se ao seu encontro com o sertanista Meireles. Assim ele escreveu:

“E, diante de tal personagem, o máximo que consegui foi lhe revelar minha admiração por seu trabalho e meu desejo de um dia poder ouvi-lo contar suas histórias com aquele jeito manso e empolgante que só os melhores contadores de histórias sabem ter”.

O Marcos escreveu o que eu queria ter escrito sobre ele. Pq depois da entrevista, assim como ele, eu só consegui revelar minha admiração pelo seu trabalho. Agora fica o desejo de poder ouvi-lo novamente contar as histórias do Acre, com aquele jeito manso e empolgante que só os melhores contadores de história sabem ter.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Rio Branco - uma cidade que eu vi crescer

Esse texto foi escrito pelo meu avô em novembro de 2008. Retrata bem as mudanças que nossa capital teve antes, durante e depois do governo do Jorge Viana.Quem quiser ler, entre e fique a vontade.



Quem, como eu, conheceu a cidade de Rio Branco há 60 anos atrás, sabe que, naquela época, apesar da sua condição de capital e sede do governo, pouco ou quase nenhuma diferença havia em relação ás demais cidades interioranas, então em número de seis: Cruzeiro do Sul, Tarauacá, Feijó, Sena Madureira, Xapuri e Brasiléia.

Vivendo em Tarauacá - minha terra natal - por mais de uma vez, no final dos anos 40, tive oportunidade de passar por aqui e constatar que, apesar dos importantes melhoramentos introduzidos, não só nesta capital, como em todo Território, na administração Guiomard Santos, ainda eram bem precárias as condições da cidade no que tange aos aspectos urbanísticos, uma vez que, tirando-se as praças em frente ao Palácio e ao quartel da Polícia Militar, ao tempo Guarda Territorial, nesse aspecto nada mais existia. As ruas eram acanhadas e, à exceção das mais centrais como a Getúlio Vargas ( até a Av. Ceará ), e partes da Epaminondas Jácome, Benjamim Constant, Av. Brasil e Rui Barbosa, a grande maioria não tinha calçamento e, se o tinha, era apenas numa estreita faixa das suas partes centrais. As demais eram de barro, com muita lama no inverno e poeira no verão. A cidade, por sua vez, limitava-se, praticamente, entre as ruas da frente do 2º Distrito, incluindo a 6 de agosto e a Av. Ceará, além dos bairros “ 15 “, Cadeia Velha e São Francisco. Tudo o mais eram casas espaças, em ruas ainda em formação.

Com relação aos serviços urbanos, dispunha-se, durante os anos 60, de um serviço de água cujo líquido era captado no rio Acre e distribuído à população sem qualquer tratamento, e isso – diga-se de passagem - apenas para um pequeno número de residências. A iluminação pública só ia até às onze horas. O transporte era precaríssimo. Até os anos 50, para se ir ao aeroporto (localizado, na época, num dos bairros, hoje, mais populosos de Rio Branco), dispunha-se de duas opções: fluvial, usando-se uma moderna e confortável lancha adquirida no governo Guiomard Santos, ou a camionete do “Português, que mais chovia dentro do que fora. Essa situação só veio melhorar no final dos anos 50, com o surgimento de algumas rurais novas e um número razoável de jipes velhos, construídos com o aproveitamento de partes de outras viaturas, pelo mecânico “Vivi”, todos, sem exceção, dirigidos por motoristas sem habilitação, não obstante com larga experiência no volante, da mesma forma que os próprios veículos, como todos que circulavam no Território, não possuíam o competente registro. Essa situação só veio se regularizar com a instalação do Serviço de Trânsito, no governo Fontenele de Castro, em 1961, cuja direção coube a este articulista.

Vários anos se passaram sem que, todavia, houvesse qualquer tipo de melhoramento no aspecto urbanístico da cidade, que só experimentou alguma mudança, assim mesmo muito timidamente, na primeira gestão do prefeito Adauto Frota, durante o governo Jorge Kalume, quando se deu a abertura de novas ruas e o alargamento e regularização de outras.. Ainda no governo Jorge Kalume veio a ponte metálica, pondo fim ao serviço de catraia, que fazia, até então, a travessia das pessoas do 1º para o 2º Distrito e vice versa.

No governo Dantas, mais uma ponte foi construída sobre o rio Acre, além de outras importantes obras como a Estação de Tratamento de Água, Estação de Passageiros ( aeroporto ), Estação Rodoviária, bem como algumas quadras de esporte, por iniciativa da prefeitura, então sob a direção do Dr. Durval Dantas. Ainda no governo Dantas teve início a utilização de asfalto, beneficiando, no entanto, somente a estrada de acesso à Xapuri, da qual chegou a pavimentar 68 quilômetros, Só no governo Geraldo Mesquita, então, é que as ruas da cidade começaram a receber esse benefício, começando pela Av. Epaminondas Jácome, na Cadeia Velha.

A população crescia, no entanto, a uma taxa nunca imaginada, ao mesmo tempo que o êxodo rural, provocado pela chegada do boi, em substituição a atividade gumífera, causava uma verdadeira inchação da cidade, com a ocupação irregular e desordenada da sua periferia pelos grandes contingentes de egressos dos seringais que, diariamente, chegavam a Rio Branco. O surgimento dos conjuntos habitacionais, por outro lado, passaram, rapidamente, a ocupar grandes áreas, que antes eram pastos e foram transformados em ruas, fazendo com que a cidade se alastrasse em todas as suas direções. A vida das pessoas, contudo, só se deteriorava, enquanto o sentimento de amor à terra parecia não mais existir. Rio Branco era, em fim, uma cidade mal estruturada, sem nenhum encanto e onde as pessoas não se sentiam bem. Os políticos se sucediam nos cargos e tudo continuava na mesma. Urgia a necessidade, portanto, de alguém com maior e melhor visão administrativa para cuidar dos destinos desta terra.

Surge, enfim, com Jorge Viana, uma nova e promissora era para o Acre. E graças as grandes transformações por ele introduzidas e, com muita competência, continuadas por seus sucessores, a cidade tem, hoje, foros de uma capital verdadeiramente moderna, com largas avenidas, praças e jardins bem ornamentados, que revigoraram e embelezaram a parte mais antiga da cidade, dando mais condições de lazer e bem-estar para o povo. As estradas, por sua vez, além de uma boa pavimentação, são bem estruturadas. Rio Branco é, atualmente, uma cidade com grandes atrativos, não deixando a desejar, em relação a muitas outras capitais de nosso país. A população, finalmente, tem do que se orgulhar, além de motivos para ter o seu sentimento de amor à terra revigorado, com reflexos altamente positivos na sua própria auto-estima, o que me leva a dizer: Rio Branco, apesar de todos os percalços, em 60 anos tu rejuvenescestes, enquanto eu só envelheci.

* José Higino de Sousa Filho, é advogado, ex-secretário de planejamento do governo Wanderley Dantas, dirigiu durante mais de 20 anos o SESI e o SENAI/AC e atualmente trabalha como assessor no Serviço Nacional da Indústria-SENAI/Acre.