Esse texto foi escrito pelo meu avô em novembro de 2008. Retrata bem as mudanças que nossa capital teve antes, durante e depois do governo do Jorge Viana.Quem quiser ler, entre e fique a vontade.
Quem, como eu, conheceu a cidade de Rio Branco há 60 anos atrás, sabe que, naquela época, apesar da sua condição de capital e sede do governo, pouco ou quase nenhuma diferença havia em relação ás demais cidades interioranas, então em número de seis: Cruzeiro do Sul, Tarauacá, Feijó, Sena Madureira, Xapuri e Brasiléia.
Vivendo em Tarauacá - minha terra natal - por mais de uma vez, no final dos anos 40, tive oportunidade de passar por aqui e constatar que, apesar dos importantes melhoramentos introduzidos, não só nesta capital, como em todo Território, na administração Guiomard Santos, ainda eram bem precárias as condições da cidade no que tange aos aspectos urbanísticos, uma vez que, tirando-se as praças em frente ao Palácio e ao quartel da Polícia Militar, ao tempo Guarda Territorial, nesse aspecto nada mais existia. As ruas eram acanhadas e, à exceção das mais centrais como a Getúlio Vargas ( até a Av. Ceará ), e partes da Epaminondas Jácome, Benjamim Constant, Av. Brasil e Rui Barbosa, a grande maioria não tinha calçamento e, se o tinha, era apenas numa estreita faixa das suas partes centrais. As demais eram de barro, com muita lama no inverno e poeira no verão. A cidade, por sua vez, limitava-se, praticamente, entre as ruas da frente do 2º Distrito, incluindo a 6 de agosto e a Av. Ceará, além dos bairros “ 15 “, Cadeia Velha e São Francisco. Tudo o mais eram casas espaças, em ruas ainda em formação.
Com relação aos serviços urbanos, dispunha-se, durante os anos 60, de um serviço de água cujo líquido era captado no rio Acre e distribuído à população sem qualquer tratamento, e isso – diga-se de passagem - apenas para um pequeno número de residências. A iluminação pública só ia até às onze horas. O transporte era precaríssimo. Até os anos 50, para se ir ao aeroporto (localizado, na época, num dos bairros, hoje, mais populosos de Rio Branco), dispunha-se de duas opções: fluvial, usando-se uma moderna e confortável lancha adquirida no governo Guiomard Santos, ou a camionete do “Português, que mais chovia dentro do que fora. Essa situação só veio melhorar no final dos anos 50, com o surgimento de algumas rurais novas e um número razoável de jipes velhos, construídos com o aproveitamento de partes de outras viaturas, pelo mecânico “Vivi”, todos, sem exceção, dirigidos por motoristas sem habilitação, não obstante com larga experiência no volante, da mesma forma que os próprios veículos, como todos que circulavam no Território, não possuíam o competente registro. Essa situação só veio se regularizar com a instalação do Serviço de Trânsito, no governo Fontenele de Castro, em 1961, cuja direção coube a este articulista.
Vários anos se passaram sem que, todavia, houvesse qualquer tipo de melhoramento no aspecto urbanístico da cidade, que só experimentou alguma mudança, assim mesmo muito timidamente, na primeira gestão do prefeito Adauto Frota, durante o governo Jorge Kalume, quando se deu a abertura de novas ruas e o alargamento e regularização de outras.. Ainda no governo Jorge Kalume veio a ponte metálica, pondo fim ao serviço de catraia, que fazia, até então, a travessia das pessoas do 1º para o 2º Distrito e vice versa.
No governo Dantas, mais uma ponte foi construída sobre o rio Acre, além de outras importantes obras como a Estação de Tratamento de Água, Estação de Passageiros ( aeroporto ), Estação Rodoviária, bem como algumas quadras de esporte, por iniciativa da prefeitura, então sob a direção do Dr. Durval Dantas. Ainda no governo Dantas teve início a utilização de asfalto, beneficiando, no entanto, somente a estrada de acesso à Xapuri, da qual chegou a pavimentar 68 quilômetros, Só no governo Geraldo Mesquita, então, é que as ruas da cidade começaram a receber esse benefício, começando pela Av. Epaminondas Jácome, na Cadeia Velha.
A população crescia, no entanto, a uma taxa nunca imaginada, ao mesmo tempo que o êxodo rural, provocado pela chegada do boi, em substituição a atividade gumífera, causava uma verdadeira inchação da cidade, com a ocupação irregular e desordenada da sua periferia pelos grandes contingentes de egressos dos seringais que, diariamente, chegavam a Rio Branco. O surgimento dos conjuntos habitacionais, por outro lado, passaram, rapidamente, a ocupar grandes áreas, que antes eram pastos e foram transformados em ruas, fazendo com que a cidade se alastrasse em todas as suas direções. A vida das pessoas, contudo, só se deteriorava, enquanto o sentimento de amor à terra parecia não mais existir. Rio Branco era, em fim, uma cidade mal estruturada, sem nenhum encanto e onde as pessoas não se sentiam bem. Os políticos se sucediam nos cargos e tudo continuava na mesma. Urgia a necessidade, portanto, de alguém com maior e melhor visão administrativa para cuidar dos destinos desta terra.
Surge, enfim, com Jorge Viana, uma nova e promissora era para o Acre. E graças as grandes transformações por ele introduzidas e, com muita competência, continuadas por seus sucessores, a cidade tem, hoje, foros de uma capital verdadeiramente moderna, com largas avenidas, praças e jardins bem ornamentados, que revigoraram e embelezaram a parte mais antiga da cidade, dando mais condições de lazer e bem-estar para o povo. As estradas, por sua vez, além de uma boa pavimentação, são bem estruturadas. Rio Branco é, atualmente, uma cidade com grandes atrativos, não deixando a desejar, em relação a muitas outras capitais de nosso país. A população, finalmente, tem do que se orgulhar, além de motivos para ter o seu sentimento de amor à terra revigorado, com reflexos altamente positivos na sua própria auto-estima, o que me leva a dizer: Rio Branco, apesar de todos os percalços, em 60 anos tu rejuvenescestes, enquanto eu só envelheci.
* José Higino de Sousa Filho, é advogado, ex-secretário de planejamento do governo Wanderley Dantas, dirigiu durante mais de 20 anos o SESI e o SENAI/AC e atualmente trabalha como assessor no Serviço Nacional da Indústria-SENAI/Acre.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Para Thata
Hoje fui abrir meu e-mail e vi que havia um comentário sobre uma postagem no meu blog sobre o aniversário do meu avô. Quem fez o comentário covardemente se escondeu no anonimato e assinou com o apelido de Thata. Abaixo o comentário:
"Meu Deus quem que saber o aniversario do teu avô e meu q blog porcaria não tem nada com nada fala de alguma coisa que alguém queira saber meu....nada contra teu avô nem conheço Deus me livre fala mau de uma pessoa q nem conheço mas gostei mas fala de outra coisa não vi nada q me chamou atenção...bjokssss Thata.."
Minha opinião:
Thata seu apelido é muito fofo, no entanto não combina com a agressividade que vc transmite. 1) Bom, quanto ao aniversário do meu avô é necessário explicar (exclusivamente para vc) que ele é uma pessoa muito importante na minha vida, não somente pelos laços de sangue que nos une (e garanto que se vc tivesse amor a sua família saberia o que isso significa), mas também pelo exemplo de ser humano que ele é; 2) Quem passa por aqui vem por que quer, se não gostar tem toda a liberdade para não voltar mais, por isso, se vc não gostou, pode sumir que prometo não ficar triste nem entrar em depressão. No entanto Thata, talvez vc não saiba, mas, os interesses das pessoas são diferentes, enquanto uns gostam de vinho outros apreciam cerveja, enquanto tem quem goste de carne há quem só coma peixe, portanto realmente meu blog pode não ter nenhuma coisa interessante para você e isso não me preocupa; 3) Talvez Thata, você não tenha gostado do meu blog pq aqui existem virgulas, pontos e acentos, coisa que vc parece não saber como usar, aliás, para sua informação quando falamos mal de uma pessoa, falamos com ‘L’ pq é sinônimo de bem e não com ‘U’ como vc escreve. Existem outros erros gramaticais grosseiros que não vou ficar aqui corrigindo para vc, pq sua professora de português é outra, no entanto, tenho certeza que meus poucos leitores, inteligentes que são, saberão identificá-los perfeitamente no seu texto, por fim, existem muito mais sinais de pontuação do que somente os três pontos que vc usa, então, da próxima vez que vc entrar num blog só p agredir o blogueiro, agrida cumprindo as regras gramaticais.
"Meu Deus quem que saber o aniversario do teu avô e meu q blog porcaria não tem nada com nada fala de alguma coisa que alguém queira saber meu....nada contra teu avô nem conheço Deus me livre fala mau de uma pessoa q nem conheço mas gostei mas fala de outra coisa não vi nada q me chamou atenção...bjokssss Thata.."
Minha opinião:
Thata seu apelido é muito fofo, no entanto não combina com a agressividade que vc transmite. 1) Bom, quanto ao aniversário do meu avô é necessário explicar (exclusivamente para vc) que ele é uma pessoa muito importante na minha vida, não somente pelos laços de sangue que nos une (e garanto que se vc tivesse amor a sua família saberia o que isso significa), mas também pelo exemplo de ser humano que ele é; 2) Quem passa por aqui vem por que quer, se não gostar tem toda a liberdade para não voltar mais, por isso, se vc não gostou, pode sumir que prometo não ficar triste nem entrar em depressão. No entanto Thata, talvez vc não saiba, mas, os interesses das pessoas são diferentes, enquanto uns gostam de vinho outros apreciam cerveja, enquanto tem quem goste de carne há quem só coma peixe, portanto realmente meu blog pode não ter nenhuma coisa interessante para você e isso não me preocupa; 3) Talvez Thata, você não tenha gostado do meu blog pq aqui existem virgulas, pontos e acentos, coisa que vc parece não saber como usar, aliás, para sua informação quando falamos mal de uma pessoa, falamos com ‘L’ pq é sinônimo de bem e não com ‘U’ como vc escreve. Existem outros erros gramaticais grosseiros que não vou ficar aqui corrigindo para vc, pq sua professora de português é outra, no entanto, tenho certeza que meus poucos leitores, inteligentes que são, saberão identificá-los perfeitamente no seu texto, por fim, existem muito mais sinais de pontuação do que somente os três pontos que vc usa, então, da próxima vez que vc entrar num blog só p agredir o blogueiro, agrida cumprindo as regras gramaticais.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Mais vale um bêbado inteligente do que um alcoolatra anônimo
Dizem que aconteceu em Minas Gerais , em Ubá, cidade onde nasceu o genial Compositor Ary Barroso.
Na cidade havia um senhor cujo apelido era Cabeçudo. Nascera com uma cabeça grande, dessas cuja boina dá pra botar dentro, fácil, fácil, uma dúzia de laranjas.
Mas fora isso, era um cara pacato, bonachão e paciente.
Não gostava, é claro, de ser chamado de Cabeçudo, mas desde os tempos do grupo escolar, tinha um chato que não perdoava. Onde quer que o encontrasse, lhe dava um tapa na cabeça e perguntava:
'Tudo bom, Cabeçudo'?
O Cabeçudo, já com seus quarenta e poucos anos, e o cara sempre zombando dele.
Um dia, depois do milésimo tapão na sua cabeça, o Cabeçudo meteu a faca no zombeteiro e matou-o na hora.
A família da vítima era rica; a do Cabeçudo, pobre.
Não houve jeito de encontrar um advogado para defendê-lo, pois o crime tinha muitas testemunhas.
Depois de apelarem para advogados de Minas e do Rio, sem sucesso algum, resolveram procurar um tal de 'Zé Caneado', advogado que há muito tempo deixara a profissão, pois, como o próprio apelido indicava, vivia de porre.
Pois não é que o 'Zé Caneado' aceitou o caso? Passou a semana anterior ao julgamento sem botar uma gota de cachaça na boca!
Na hora de defender o Cabeçudo, ele começou a sua peroração assim:
- Meritíssimo juiz, honrado promotor, dignos membros do júri.
Quando todo mundo pensou que ele ia continuar a defesa, ele repetiu:
- Meritíssimo juiz, honrado promotor, dignos membros do júri.
Repetiu a frase mais uma vez e foi advertido pelo juiz:
- Peço ao advogado que, por favor, inicie a defesa.
Zé Caneado, porém, fingiu que não ouviu e:
- Meritíssimo juiz, honrado promotor, dignos membros do júri.
E o promotor:
- A defesa está tentando ridicularizar esta corte!
O juiz:
- Advirto ao advogado de defesa que se não apresentar imediatamente os seus argumentos...
Foi cortado por Zé Caneado, que repetiu:
- Meritíssimo juiz, honrado promotor, dignos membros do júri.
O juiz não aguentou:
- Seu moleque safado, seu bêbado irresponsável, está pensando que a justiça é motivo de zombaria? Ponha-se daqui para fora antes que eu mande prendê-lo.
Foi então que o Zé Caneado disse:
-Senhoras e Senhores jurados, esta Côrte chegou ao ponto em que eu queria chegar...
Vejam que: se apenas por repetir algumas vezes que o juiz é meritíssimo, que o promotor é honrado e que os membros do júri são dignos, todos perdem a paciência, consideram-se ofendidos e me ameaçam de prisão...., pensem então na situação deste pobre homem, que durante quarenta anos, todos os dias da sua vida, foi chamado de Cabeçudo!
Cabeçudo foi absolvido e o Zé voltou a tomar suas cachaças em paz.
Mais vale um 'Bêbado Inteligente' do que um 'Alcoólatra Anônimo!
Na cidade havia um senhor cujo apelido era Cabeçudo. Nascera com uma cabeça grande, dessas cuja boina dá pra botar dentro, fácil, fácil, uma dúzia de laranjas.
Mas fora isso, era um cara pacato, bonachão e paciente.
Não gostava, é claro, de ser chamado de Cabeçudo, mas desde os tempos do grupo escolar, tinha um chato que não perdoava. Onde quer que o encontrasse, lhe dava um tapa na cabeça e perguntava:
'Tudo bom, Cabeçudo'?
O Cabeçudo, já com seus quarenta e poucos anos, e o cara sempre zombando dele.
Um dia, depois do milésimo tapão na sua cabeça, o Cabeçudo meteu a faca no zombeteiro e matou-o na hora.
A família da vítima era rica; a do Cabeçudo, pobre.
Não houve jeito de encontrar um advogado para defendê-lo, pois o crime tinha muitas testemunhas.
Depois de apelarem para advogados de Minas e do Rio, sem sucesso algum, resolveram procurar um tal de 'Zé Caneado', advogado que há muito tempo deixara a profissão, pois, como o próprio apelido indicava, vivia de porre.
Pois não é que o 'Zé Caneado' aceitou o caso? Passou a semana anterior ao julgamento sem botar uma gota de cachaça na boca!
Na hora de defender o Cabeçudo, ele começou a sua peroração assim:
- Meritíssimo juiz, honrado promotor, dignos membros do júri.
Quando todo mundo pensou que ele ia continuar a defesa, ele repetiu:
- Meritíssimo juiz, honrado promotor, dignos membros do júri.
Repetiu a frase mais uma vez e foi advertido pelo juiz:
- Peço ao advogado que, por favor, inicie a defesa.
Zé Caneado, porém, fingiu que não ouviu e:
- Meritíssimo juiz, honrado promotor, dignos membros do júri.
E o promotor:
- A defesa está tentando ridicularizar esta corte!
O juiz:
- Advirto ao advogado de defesa que se não apresentar imediatamente os seus argumentos...
Foi cortado por Zé Caneado, que repetiu:
- Meritíssimo juiz, honrado promotor, dignos membros do júri.
O juiz não aguentou:
- Seu moleque safado, seu bêbado irresponsável, está pensando que a justiça é motivo de zombaria? Ponha-se daqui para fora antes que eu mande prendê-lo.
Foi então que o Zé Caneado disse:
-Senhoras e Senhores jurados, esta Côrte chegou ao ponto em que eu queria chegar...
Vejam que: se apenas por repetir algumas vezes que o juiz é meritíssimo, que o promotor é honrado e que os membros do júri são dignos, todos perdem a paciência, consideram-se ofendidos e me ameaçam de prisão...., pensem então na situação deste pobre homem, que durante quarenta anos, todos os dias da sua vida, foi chamado de Cabeçudo!
Cabeçudo foi absolvido e o Zé voltou a tomar suas cachaças em paz.
Mais vale um 'Bêbado Inteligente' do que um 'Alcoólatra Anônimo!
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Fotos
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Ausente
Estarei ausente (mais do que estou) por alguns dias, devido ao prazo de entrega da minha monografia. Agora é necessário focalizar todo e qualquer tempo livre para colecionar ácaros e outros germes no nariz, nas mãos e no pescoço, devido ao manuseio de jornais antigos, alguns com mais de 40 anos de idade, em busca de informações que recheiem minha monografia. Por isso, peço desculpas a todos os meus leitores, mas justifico que é por uma boa causa!
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