sábado, 22 de maio de 2010

Mais um capítulo da série Ciladas da Maternidade

Com um desejo enorme de assistir ao show de uma de suas bandas de música favorita, minha filha ganhou de aniversário de sua fada-madrinha o tão desejado presente. Assim sendo, já que por aqui só chegam bandas de forró, pagode e agora gospel também, partimos rumo a São Paulo.




Depois de pegar um engarrafamento bem a moda paulistana e pagar uma fortuna de taxi, ainda tivemos que enfrentar uma fila quilométrica que durou exatos 150 minutos e estava lotada de adolescentes punks, funks, emos ou sei lá o quê. Mas eu estava lá, firme, forte, segurando a onda e ‘achando’ tudo normal, afinal, o importante era estar segurando a mão de minha filha nesse momento tão importante para ela. Minha grande sorte foi ter optado pelo bom e velho all star, que me garantiu total conforto aos pés, durante essa via sacra, digo, esse show.



Como boa mãe que sou, tratei logo de passar uma boa olhada em todos que estavam por ali (pra não dizer que passei em revista) e vou contar para vocês que a maioria dos adolescentes tinham cabelos mal cortados, assanhados e coloridos (só a metade pra dar mais estilo) e restante estava de óculos escuros (wayfarer).

Como diria Renato Russo se vivo fosse, festa estranha com adolescente esquisito, eu não to legal. Eu só ficava me perguntando o que essa moçada de hoje tem contra pentes e escovas. Sem contar com os tênis mega-ultra-power coloridos. O mais lindo de todos os arco-íris se torna completamente opaco na frente deles.



Foi quando de repente, olhei para meu próprio umbigo e vi minha filha, minha filhinha linda, aquela princesinha que mamãe criou com todo mimo para ser a delicadeza em pessoa, trajando uma camiseta branca com uma estampa psicodélica, shorts rosa, meia calça roxa, tênis coloridos e cabelo pintado só da metade pra baixo (pra dar mais estilo e tal...).



Vi também que ali, ela não era diferente de ninguém, porque naquele momento ela estava no meio da sua tribo, a tribo dos pés coloridos e cabelos assanhados, já eu, bem... não posso dizer o mesmo. Afinal, camiseta marrom, calça jeans, tênis discreto e rabo de cavalo não combinam nem um pouco com o estilo deles (sem falar na diferença de idade que era gritante). Ali, a diferente era eu.



E vocês, caros leitores, sabem o que é pior de tudo isso? Depois de enfrentar engarrafamento, fila que dobrava em duas esquinas e ser chamada de tia, eu não sabia sequer o nome da banda, quiçá conhecer uma mísera música. Ossos do ofício da maternidade. #Beijosemeretwitta

Publicado no Jonal Página 20, em 09 de maio de 2010

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