quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Autoridade e autoritarismo: a sutil diferença

Durante nossas vidas, passam pessoas que sempre confundem autoridade com autoritarismo. São pais, irmãos, médicos, chefes e por aí vai. Fazem uso de gritos e ameaças como quem bebe água.

O interessante é que essas pessoas não percebem que conseguem as coisas através do pânico que implantam nos outros e não pela vontade própria de quem está fazendo. Aliás, saber mandar é uma virtude.

Eu convivi dentro de casa com um exemplo de autoridade durante boa parte da minha vida. Ele se chama José Higino de Sousa Filho, meu avô.

Vovô foi durante muitos anos diretor do Serviço Social da Indústria (Sesi) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). (Por sinal, quando eu era criança, meu sonho era estudar no Senai para fazer mecânica, mas isso é tema para outra Conversa de Calçada.)

Voltando ao nosso assunto, ele sempre prezou pelo convívio com seus colegas de trabalho. Eu nunca soube de um ‘destemperamento’ dele com seus subordinados. Ao contrário, sempre que tinha uma reclamação a fazer, ele os chamava a seu gabinete.

Ele não fazia uso de plateias para dizer algo que não caminhava ou que estava errado. Dizia o que tinha que ser dito sem mudar o tom de voz, sem ofensas e humilhações, mas, principalmente, só para quem tinha que ouvir.

Graças a essa maneira de agir ele tornou-se querido e admirado por todos de lá. Não é difícil eu encontrar com alguém na rua que me reconheça como a “neta do seu José Higino”, sejam ex-alunos ou ex-funcionários. Eles sempre dizem: ‘Se tem um homem correto, tá aí! Correto e educado’.

Vovô era daqueles chefes que davam o bom exemplo - chegava cedo e não fazia uso do bem público em favor de si.

Hoje, aos 80 anos de idade, ele ainda trabalha no Senai. E quando tem as reuniões de confraternizações, é explícito o carinho que todos sentem por ele. “Seu Zé Higino, sente aqui”. “Seu Zé Higino coma uma carninha aqui”. “Seu Zé Higino, o senhor tá precisando de alguma coisa?”. E olha que ele nem é mais chefe por lá...

Para mim (e espero que para todos que estão lendo o blog), fica a lição de que, por maior que seja o cargo que ocupamos, devemos sempre tratar com respeito as pessoas que fazem parte do nosso ambiente de trabalho, pois é com elas que passamos a maior parte do dia, muitas vezes mais até do que com a nossa família.

Fica a dica!

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